Dólar a R$ 5? O que esperar para o câmbio após nova queda da divisa em fevereiro

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Apesar do dólar caminhar para seu primeiro ganho mensal desde outubro ante as principais moedas, impulsionado pelas tensões geopolíticas, a divisa americana se desvalorizou mais um mês em relação ao real, atingindo as mínimas desde maio de 2024 em diversos pregões. No acumulado do mês, o dólar cai cerca de 2%, na casa dos R$ 5,13.

Dentre os fatores que levaram à valorização da moeda brasileira, está o forte fluxo estrangeiro para a B3 e ativos brasileiros em meio aos recordes sucessivos do Ibovespa e valuation atrativo das ações. Esse fluxo aumentou a oferta de dólares no mercado, funcionando como espelho do apetite por risco local.

No Brasil, o foco segue sendo a política monetária: os dados de inflação mantiveram o debate sobre início e ritmo de cortes da Selic. Conforme ressalta análise da Zero Markets, apesar de alguns ruídos envolvendo o Banco Central, o mercado manteve confiança relativa.

Conforme destaca o Itaú, um cenário externo mais benigno, combinado com um prêmio de risco doméstico ainda contido e um amplo diferencial de taxas de juros, permitiu que o real fosse negociado em níveis mais valorizados no início deste ano.

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“A moeda se fortaleceu em meio a fluxos estrangeiros em um ambiente global de maior apetite por risco. No entanto, o aumento esperado no prêmio de risco local antes das eleições continua sendo o principal fator de depreciação ao longo do ano, limitando uma maior valorização”, aponta o banco. Em relatório recente, a equipe de economistas da casa revisaram sua revisão cambial de R$ 5,50 para R$ 5,40 em 2026 e de R$ 5,70 para 5,60 em 2027. Assim, apesar da revisão para baixo, ainda vê o dólar se valorizando em relação aos patamares atuais.

O Morgan Stanley também reconhece que o real continua fortemente impactado pelos possíveis resultados das eleições, “embora veja que pesquisas recentes sugerem um apoio não desprezível a um resultado percebido como potencialmente mais prudente do ponto de vista fiscal do que suas alternativas”.

Para o banco, “caso as pesquisas continuem a apontar nessa direção, o real poderá ir abaixo de R$ 5,00 antes do evento de outubro, o que está mais de acordo com nosso cenário otimista”, avalia. O Morgan também aponta não estar muito preocupado com o próximo ciclo de afrouxamento cambial do Banco Central do Brasil (BCB), dada a forte vantagem de carry trade da moeda em relação a outras moedas.

O banco Pine também ressalta que ainda há espaço para uma queda ainda mais forte da divisa americana no primeiro semestre, para perto dos R$ 5, em meio ao cenário atual. Os analistas avaliam que um cenário econômico dos EUA combina desaceleração pontual do crescimento com inflação ainda elevada, mas com viés um pouco mais favorável para o PIB no início de 2026.

Para o real, os economistas da casa esperam que o cenário permaneça favorável no curto prazo, mas enxergam riscos (limitados) no segundo semestre relacionados à incerteza quanto à questão tarifária. “Mantemos a estimativa de que o real valorize para perto de R$ 5 por dólar ainda neste semestre e que a taxa média em 2026 fique em R$ 5,21 por dólar dada a conjuntura externa e doméstica favoráveis”, destaca.

Também há quem projete um valor justo ainda menor para o dólar: R$ 4,50, conforme tem destacado  Robin Brooks, economista do Brookings Institution e ex-chefe de estratégia cambial do Institute of International Finance (IIF).

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