O Ibovespa Futuro opera com forte baixa nos primeiros negócios desta segunda-feira (2), acompanhando o desempenho negativo das principais bolsas mundiais, devido ao aumento da aversão ao risco após os ataques dos EUA e Israel contra o Irã no sábado. Às 9h02 (horário de Brasília), o contrato para abril recuava 0,81%, a 190.055 pontos.
Israel lançou nesta segunda-feira novos ataques aéreos contra Teerã e ampliou sua campanha militar para incluir ofensivas contra militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã no Líbano, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que a ofensiva militar EUA-Israel contra alvos iranianos pode continuar por semanas.
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Todas as atenções estavam voltadas para o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo transportado por via marítima e 20% do gás natural liquefeito. Embora a rota ainda não tenha sido bloqueada, sites de rastreamento marítimo mostravam petroleiros se acumulando em ambos os lados do estreito, receosos de ataques ou talvez incapazes de obter seguro para a viagem.
Contudo, a disposição de membros da OPEP+ em elevar a oferta de óleo bruto, somada ao papel estratégico da indústria petrolífera da Venezuela sob influência de Washington, atua como um amortecedor para o mercado. O fato de os Estados Unidos não planejarem recorrer às suas reservas estratégicas indica que o governo americano mantém confiança na estabilidade da oferta global a médio prazo.
Se esta guerra se prolongar e o Estreito de Ormuz continuar significativamente bloqueado, o prêmio geopolítico poderá permanecer elevado por um longo período, algo que os EUA provavelmente não desejam, pois começaria a afetar os níveis de inflação. A resposta a esta questão permanece em aberto, mas os comentários de Trump de que a guerra provavelmente durará até quatro semanas podem ajudar o mercado a ancorar as expectativas e a arrefecer a volatilidade dos preços.
Politicamente para os EUA tudo parece muito bem orquestrado à medida que a Venezuela se torna um foco de alívio na oferta de petróleo em um futuro próximo e para as eleições desse ano, o oriente médio é inimigo comum de democratas e republicanos, segundo a Ativa Investimentos. Outro alvo unanime dos norte americanos é a China, afetada indiretamente pela atual guerra.
De uma perspectiva corporativa, o impacto real dependerá de quanto o preço à vista do Brent subir em relação aos custos mais elevados de frete e seguro. O BBI espera que os custos de frete continuem a subir significativamente visto que, desta vez, os VLCCs (navios petroleiros de grande porte, em tradução livre da sigla) são alvos reais.
As empresas com maior exposição ao mercado à vista e proteção limitada por hedge têm mais chances de se beneficiar diretamente se o prêmio geopolítico se traduzir em preços realizados mais altos e sustentados.
Em Wall Street, o Dow Jones Futuro caía 0,91%, Nasdaq Futuro recuava 0,87% e o S&P 500 Futuro tinha queda de 1,15%.
Dólar, exterior e commodities
Com a redução da exposição ao risco por parte dos investidores, alguns ativos considerados refúgios seguros ganharam destaque. O ouro à vista subia quase 3%, sendo negociado em torno de US$ 5.400 a onça.
O dólar futuro para abril — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,23%, R$ 5,182.
Os mercados Ásia-Pacífico fecharam sem direção única, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que mataram o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, marcando uma forte escalada nas tensões no Oriente Médio.
As ações de companhias aéreas lideraram as perdas na Ásia, com as interrupções no espaço aéreo e o fechamento de aeroportos no Oriente Médio afetando os mercados de viagens.
Os mercados europeus operam em forte queda, acompanhando a baixa dos mercados globais após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã no fim de semana.
Na Europa, a temporada de balanços traz resultados de Bank of Ireland Group, Smith & Nephew e Galp Energia, enquanto a agenda de indicadores inclui as vendas no varejo da Alemanha e os dados do PIB da Itália.
Os preços do petróleo registram as maiores altas em quatro anos, enquanto os investidores avaliavam o impacto do fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, provocado pelos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, em um contexto de escalada das hostilidades em toda a região.
As cotações do minério de ferro na China reverteram as perdas iniciais e fecharam em alta, com os investidores voltando sua atenção para possíveis aumentos nas taxas de frete em decorrência do conflito com o Irã e da queda nos embarques dos principais fornecedores.
(Com Reuters e Bloomberg)
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