
O iPhone 17 Pro Max custa cerca de US$ 1.199 nos Estados Unidos. No Brasil, o mesmo aparelho passa dos R$ 10.700.
Pela cotação de hoje, o preço americano daria pouco mais de R$ 6 mil. O brasileiro paga quase o dobro.
Não é exagero do varejo: o Brasil é o segundo país mais caro do mundo para comprar um iPhone, atrás apenas da Turquia, e o preço nacional chega a ser 85% mais alto do que o dos EUA.

Fonte: levantamentos de preços da linha Pro do iPhone por país. Elaboração do autor.
A explicação mais rápida é “imposto”. E ela está certa, mas incompleta.
Metade da história está na carga tributária brasileira, que soma ICMS, tarifa de importação e outros tributos sobre um produto que já chega caro ao país. A outra metade está no câmbio. A Apple precifica seus produtos em dólar. Quando o real vale menos, tudo o que vem de fora fica automaticamente mais caro para o brasileiro, antes mesmo de os impostos entrarem na conta.
É por isso que o iPhone virou um termômetro involuntário da nossa moeda: ele mede exatamente quanto custa, para um brasileiro, comprar um pedaço do mundo.
E aqui está o ponto que quase ninguém associa a esse assunto: o iPhone caro e o seu patrimônio contam a mesma história.
Quando você olha o preço do dólar na tela, ele parece um número abstrato, algo que interessa apenas a quem viaja ou importa produtos. Mas o dólar não é só uma cotação. É uma régua.
É a medida de quanto o seu dinheiro vale lá fora, onde estão precificadas tecnologia, energia, medicamentos, viagens, educação e as empresas mais valiosas do planeta.
E essa régua vem encolhendo para quem mantém tudo em real. Nos últimos anos, você pode ter visto seu patrimônio crescer em reais e, ao mesmo tempo, perder poder de compra global.
O iPhone supercaro é apenas mais um exemplo do que aconteceu com quase tudo o que você poderia querer consumir ou investir fora do Brasil.
É aqui que precisamos desmontar uma ideia confortável. Costumam nos dizer que moeda fraca é boa: ajuda o exportador, atrai turistas e torna o produto nacional mais competitivo.
Isso pode até ser verdade para a balança comercial do país. Mas, para você, pessoa física e dona de patrimônio, moeda fraca representa uma perda silenciosa de riqueza.
Ninguém envia uma mensagem avisando: “Seu poder de compra global caiu 20% este ano”. A conta chega disfarçada no iPhone que dobrou de preço, na diária do hotel no exterior, na mensalidade do intercâmbio do filho ou naquele ativo internacional que você deixou de comprar porque “estava caro”.
Estava caro em real. Em dólar, muitas vezes, estava exatamente no mesmo lugar.
O erro que vejo com mais frequência é medir riqueza na régua errada. A pessoa acumula, poupa, investe e mede tudo em reais, uma moeda que historicamente se desvaloriza frente às principais moedas fortes ao longo do tempo.
Ser rico em real e pobre em dólar é uma armadilha. Principalmente porque dá a sensação de que você fez tudo certo, mas não chega ao resultado esperado.
A conclusão prática não é apocalíptica. É uma questão de organização. Ter parte do patrimônio em moeda forte deixou de ser uma sofisticação de grandes investidores e passou a ser uma forma básica de preservar poder de compra.
Não estou falando em abandonar o Brasil nem em tentar adivinhar a cotação do dólar do mês que vem, algo simplesmente impossível. Estou falando de estrutura.
Uma fatia relevante da sua riqueza pode estar precificada na mesma moeda em que estão precificadas as coisas que você provavelmente vai querer comprar e os ativos nos quais talvez queira investir: ações globais, fundos internacionais e renda fixa em dólar, sempre de acordo com o seu perfil.
O objetivo não é ganhar com o dólar. É deixar de perder poder de compra sem perceber.
Da próxima vez que você olhar o preço de um iPhone e achar um absurdo, não pense apenas nos impostos. Pense que aquele número também é um recado sobre a moeda em que você guarda a sua vida inteira.
E pergunte a si mesmo qual régua está usando para se sentir rico.
Porque a riqueza que existe apenas em uma moeda fraca pode se perder aos poucos, sem que você sequer perceba.
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