Bolsa pode subir até 11% no curto prazo após 1º turno, prevê JPMorgan

B3 Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo (Germano Lüders/InfoMoney)

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais deve provocar uma forte reprecificação dos ativos brasileiros, com potencial de alta de até 11% para as ações no curto prazo e o dólar testando a região de R$ 5, segundo avaliação do JPMorgan. O banco vê o senador Flávio Bolsonaro como favorito para o segundo turno após terminar a primeira etapa da disputa à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, diante de 45,16% de Lula. O chamado “terceiro bloco”, formado majoritariamente por candidatos de centro e centro-direita, ficou com 7,8%. Segundo o banco, pesquisas disponíveis e padrões históricos indicam que Flávio Bolsonaro pode capturar uma parcela maior desses eleitores no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

O JPMorgan destaca que as pesquisas erraram novamente a magnitude da disputa, mas, diferentemente de 2022, desta vez o erro foi suficiente para inverter a liderança esperada. Antes da votação, os levantamentos indicavam uma vantagem modesta de Lula, enquanto as simulações para o segundo turno apontavam uma corrida dentro da margem de erro.

Bolsa pode ter reprecificação rápida

Para a Bolsa, o banco trabalha com uma potencial expansão de 20% a 25% dos múltiplos das ações brasileiras. Atualmente, o Brasil negocia a aproximadamente 8,9 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. A casa acredita que esse múltiplo pode atingir cerca de 10,9 vezes, o que corresponderia a um potencial de valorização de aproximadamente 22% para o MSCI Brazil.

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Parte relevante desse movimento poderia acontecer muito rapidamente. Na estimativa do JPMorgan, as ações poderiam incorporar imediatamente pelo menos metade desse potencial, equivalente a uma alta de aproximadamente 10% a 11%. A segunda metade da reprecificação dependeria de medidas concretas capazes de levar a juros mais baixos.

Para a Bolsa avançar para um cenário ainda mais positivo, semelhante ao observado a partir de 2016, seria necessária uma agenda que combinasse disciplina fiscal e reformas estruturais, além de um ambiente externo favorável, segundo o relatório.

Dólar pode testar R$ 5

No câmbio, o JPMorgan também espera uma reação significativa. Com os mercados de previsão atribuindo cerca de 85% de probabilidade à vitória de Flávio Bolsonaro, o banco avalia que os preços devem avançar na incorporação de um cenário de transição, compatível com o dólar perto de R$ 4,95.

A instituição está posicionada para esse movimento por meio de uma estratégia com opções de dólar e considera factível uma cotação ao redor de R$ 4,80 nas próximas semanas, nível no qual a estrutura montada pelo banco teria seu resultado mais favorável.

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Nos juros, a expectativa é de queda das taxas e achatamento da curva. O J.P. Morgan considera atrativas posições aplicadas no DI de janeiro de 2037, com alvo de 13%, ante fechamento de 14,16% na sexta-feira. O banco ressalta que a consolidação fiscal será determinante para esse mercado.

Congresso também anima

A leitura positiva não decorre apenas do desempenho presidencial, uma vez que os partidos de direita tiveram seu melhor resultado em décadas no Congresso. O PL mais do que dobrou sua bancada no Senado, chegando a quase 30 das 81 cadeiras, e deve ficar com mais de 110 deputados na Câmara.

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Para o banco, essa configuração poderia facilitar a construção de uma coalizão em eventual governo de Flávio Bolsonaro, especialmente no Senado, além de favorecer a aprovação de ajustes fiscais e reformas institucionais. Em uma eventual vitória de Lula, por outro lado, o caminho para formar maiorias legislativas seria mais difícil.

O relatório destaca que a fragmentação partidária caiu ao menor nível em mais de uma década, enquanto a coalizão de direita e centro-direita teria condições de formar maioria.

Segundo turno e fiscal entram no radar

Apesar da avaliação favorável a Flávio Bolsonaro, o JPMorgan ressalta que a eleição ainda não está definida. Participação eleitoral, taxas de rejeição, transferência dos votos dos candidatos eliminados e eventuais riscos institucionais durante uma campanha mais polarizada podem alterar a disputa.

Os primeiros levantamentos do segundo turno, esperados a partir de quarta-feira segundo o relatório, serão particularmente relevantes para verificar se a surpresa do primeiro turno se traduz em uma vantagem persistente. O banco também acompanhará os apoios de candidatos eliminados e de lideranças regionais.

Para os mercados, entretanto, a atenção tende a migrar gradualmente do resultado das urnas para as sinalizações sobre política fiscal, governança econômica e desenho institucional apresentadas pelas duas campanhas. O banco observa que propostas detalhadas nessas áreas foram escassas durante o primeiro turno.

Crédito também pode se beneficiar

A avaliação construtiva se estende ao crédito corporativo brasileiro. O banco espera compressão dos spreads do CEMBI Brasil e elevou a recomendação para o segmento de grau de investimento brasileiro de neutra para overweight. O banco calcula que o CEMBI Brazil IG negocia cerca de 10 pontos-base mais barato do que seria indicado por seu rating, abrindo espaço para compressão igual ou superior a 10 pontos-base.

Entre os emissores mais bem posicionados para se beneficiar de um movimento duradouro estão Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), Arcos Dorados e os bancos brasileiros, além de outros créditos de melhor qualidade. Já os nomes considerados mais vulneráveis pelo banco continuam mais dependentes de fatores específicos de cada companhia.

No crédito soberano, a instituição também espera um fechamento adicional dos spreads diante da perspectiva de maior espaço para consolidação fiscal. Ainda assim, como os títulos já avançaram bastante, o banco prefere manter exposição comprada a risco via CDS em vez de aumentar diretamente a posição em bonds.

Assim, embora o primeiro turno abra espaço para uma reação inicialmente forte dos ativos, a avaliação do JPMorgan indica que uma segunda etapa de valorização dependerá menos do resultado eleitoral isoladamente e mais das sinalizações concretas sobre ajuste fiscal, reformas, equipe econômica e trajetória dos juros. Para as ações, essa diferença é relevante: cerca de metade da reprecificação projetada pode ocorrer rapidamente, enquanto o restante exige avanços efetivos na agenda macroeconômica.

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