
As férias de julho chegaram e, com elas, a procura por viagens internacionais aumentaram. Mas nem tudo é alegria nesse caminho. A variação do dólar voltou a se tornar um dos principais fatores de preocupação para brasileiros que pretendem viajar ao exterior: a moeda fechou esta quinta-feira (2) em R$ 5,20. Mais do que influenciar o preço das passagens e hospedagens, a oscilação cambial pode transformar gastos aparentemente previsíveis em uma fonte adicional de pressão sobre o orçamento familiar.
Levantamento realizado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) mostra que pequenas variações na cotação da moeda americana podem produzir impactos relevantes em poucos dias. Segundo cálculos do planejador financeiro Elder Campi, uma oscilação do dólar entre R$ 5,0154 e R$ 5,1757, como foi registrada entre os dias 2 e 10 de junho deste ano, seria suficiente para elevar em R$ 801,50 o custo de uma viagem com despesas estimadas em US$ 5 mil.
O cálculo ajuda a ilustrar um fenômeno que costuma passar despercebido pelos viajantes, que tradicionalmente negociam e pagam passagens aéreas e hospedagem antecipadamente, mas deixam boa parte dos gastos que serão realizados durante a viagem exposta ao câmbio.
“Grande parte dos brasileiros planeja primeiro a passagem e a hospedagem, mas esquece que alimentação, transporte local, compras, internet internacional e até parte das taxas bancárias continuam dependentes da moeda estrangeira. Quando o câmbio se movimenta, todo esse orçamento muda”, afirma Campi.

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Comprar dólar na última hora
Na avaliação dos especialistas em planejamento financeiro, um dos erros mais comuns dos viajantes é deixar a compra da moeda estrangeira para os dias imediatamente anteriores ao embarque. Além de aumentar a exposição às oscilações cambiais, a estratégia concentra todo o risco em um único momento do mercado. Em períodos de maior volatilidade, diferenças aparentemente pequenas na cotação podem representar centenas ou até milhares de reais adicionais no custo total da viagem.
“A compra gradual não tem como objetivo acertar o menor dólar, algo que ninguém consegue prever. O objetivo é reduzir o risco de concentrar toda a operação em uma única cotação desfavorável”, explica Campi.
A estratégia conhecida como “preço médio”, amplamente utilizada por investidores, consiste justamente em adquirir pequenas quantidades de moeda ao longo de vários meses, suavizando os efeitos das oscilações do mercado.
Planejamento deve começar meses antes
Segundo Campi, o planejamento cambial deve começar no momento em que a viagem deixa de ser apenas um desejo e passa a ser uma decisão concreta, seja após a compra da passagem, da reserva do hotel ou da definição do destino. “O ideal é começar a organizar a compra da moeda com pelo menos três a seis meses de antecedência. Em viagens mais caras, em família ou para destinos com moedas fortes, como dólar, euro ou libra, esse prazo pode ser ainda maior”, afirma.
Segundo o planejador financeiro, a principal vantagem da antecedência não é acertar a melhor cotação, mas ganhar tempo para diluir os gastos, acompanhar a evolução do orçamento e fazer ajustes sem pressão. “Quem se planeja com antecedência compra tempo. E, quando falamos de câmbio, tempo ajuda a reduzir ansiedade, risco e decisões de última hora”, explica.
Campi afirma ainda que alguns viajantes frequentes mantêm uma espécie de reserva permanente em moeda estrangeira, utilizando parte dos recursos durante a viagem e recompondo gradualmente o saldo ao longo dos meses seguintes.

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Custo oculto
Especialistas alertam ainda que a cotação da moeda americana é apenas um dos componentes que impactam o orçamento internacional. Entre os custos frequentemente negligenciados estão o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tarifas de cartões internacionais, spread cambial cobrado por instituições financeiras, taxas de saque no exterior e custos de conectividade, como chips e planos de internet internacional.
Em alguns casos, a diferença entre o câmbio comercial divulgado e a cotação efetivamente praticada pelo banco ou operadora do cartão pode representar uma elevação relevante no custo final da viagem.
“Não basta observar apenas a cotação do dólar. O viajante precisa analisar qual será o custo efetivo de cada meio de pagamento disponível”, afirma o planejador.
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Cartão, dinheiro ou conta internacional?
Nos últimos anos, a popularização das contas internacionais e dos cartões multimoedas ampliou as opções dos consumidores brasileiros. Ainda assim, não existe uma solução única capaz de atender todos os perfis de viajantes.
Campi recomenda diversificar os meios de pagamento, combinando moeda em espécie, cartões internacionais e contas digitais, reduzindo riscos operacionais e financeiros durante a viagem. A recomendação também vale para situações de emergência, evitando que eventuais problemas com cartões ou sistemas bancários comprometam a permanência no exterior.
Na avaliação do especialista, não existe um único meio ideal para levar recursos ao exterior. A estratégia mais segura é utilizar os diferentes instrumentos financeiros, aproveitando as vantagens de cada um deles. Mas é recomendável evitar transportar grandes volumes de dinheiro em espécie, mantendo apenas uma pequena quantia para despesas imediatas, como transporte, gorjetas, pequenas compras ou eventuais emergências.
As chamadas contas globais e cartões de débito internacionais ganharam espaço nos últimos anos por permitirem a compra antecipada da moeda estrangeira e oferecerem maior previsibilidade dos gastos durante a viagem, segundo ele. “Para muitas pessoas, essa alternativa oferece mais controle e segurança do que depender exclusivamente do cartão de crédito”, afirma Campi.
Os cartões pré-pagos continuam sendo uma opção, embora tenham perdido competitividade em alguns casos devido à menor flexibilidade para recarga durante a viagem. Já o cartão de crédito internacional deve funcionar como instrumento complementar, destinado principalmente a emergências, reservas de hotéis e aluguel de veículos. “O cartão de crédito não deve ser visto como um cheque em branco para a viagem inteira. Ele é importante como reserva, mas exige atenção ao câmbio, ao IOF e ao spread bancário”, alerta.

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A viagem continua
Para o planejador, o principal erro financeiro das férias internacionais não ocorre durante a viagem, mas após o retorno ao Brasil. “O planejamento precisa considerar toda a jornada financeira, inclusive o período posterior às férias. A melhor viagem é aquela que cabe no orçamento antes, durante e depois do embarque”, afirma Campi.
Segundo ele, estabelecer limites de gastos, reservar recursos para imprevistos, comparar diferentes formas de pagamento e evitar financiar despesas de viagem são medidas que ajudam a reduzir o risco de transformar as férias em uma fonte de endividamento.
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