
O dólar abaixo de R$ 5 é boa notícia para quem planeja viajar ou comprar “blusinhas” da China, mas e para o investidor? Chegou a hora de tirar dinheiro do Brasil? Segundo especialistas, a apreciação do câmbio e a sinalização do Banco Central na última semana de que a taxa de juros seguirá em queda, mesmo que lenta, apontam na mesma direção: o momento é mais positivo do que negativo para iniciar ou ampliar exposição a ativos internacionais.
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Para Marcelo Karvelis Franco, sócio e diretor de gestão de recursos da Avin Asset, a janela está aberta para investir lá fora, mas com estratégia. Ele recomenda uma abordagem gradual, sem dolarizar de uma vez, e ressalta que a diversificação internacional serve como proteção estrutural do patrimônio, especialmente em um ano eleitoral. “Mas nenhuma decisão deve ser tomada sem considerar seu perfil e horizonte de investimento”, alerta.
A visão é compartilhada por Maria Levorin, sócia responsável por Distribuição e Wealth da Multiplica, que vê a decisão do Copom, que reduziu a Selic para 14,50%, como fator de timing. “A alocação internacional deve ser vista como uma estratégia de longo prazo, independentemente do nível de juros doméstico, contribuindo para a redução de risco e maior equilíbrio do portfólio”, pondera.

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Com o diferencial entre a taxa brasileira e a das economias desenvolvidas tendendo a se reduzir, o incentivo à diversificação aumenta, mas ela alerta contra tentar antecipar o câmbio. “Tentar antecipar o comportamento da moeda tende a ser pouco eficiente, o mais recomendável é construir a exposição internacional de forma gradual, diluindo o risco de entrada em um único momento.”
O brasileiro já mostra mais apetite para comprar dólar, segundo Tulio Portella, CCO da corretora de câmbio B&T XP. “Este é um momento extremamente favorável para quem nunca investiu lá fora dolarizar ou colocar em outra moeda parte de suas aplicações ou aumentar as que já tem”, diz.
Em que investir?
Entre as aplicações mais procuradas pelos brasileiros estão as ações americanas, especialmente as de tecnologia. A renda fixa no exterior atrai principalmente investidores com patrimônio maior, que buscam proteção em moeda estrangeira sem priorizar rendimento. “Para a renda fixa, o diferencial de juros no Brasil é muito alto e a aplicação entrega mais aqui, se não considerarmos o impacto do câmbio”, explica Portella.
Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, sugere dividir a carteira em três blocos: setor de IA e chips, com Nvidia, AMD, Broadcom e TSMC; software e cloud, com Microsoft, Alphabet, Salesforce e Zscaler; e financeiro, com JPMorgan, Goldman Sachs e U.S. Bancorp.
Para uma postura mais defensiva, ele menciona empresas de saúde e utilities, mas traz a ressalva de que “o centro da oportunidade hoje está claramente em tech de qualidade e em empresas que estão comprovando crescimento de receita e lucro na temporada de balanços.”
Os investimentos no exterior se popularizaram com as chamadas contas globais, que permitem aplicar em ativos estrangeiros mesmo sendo brasileiro, e sem precisar de endereço americano. Recursos enviados ao exterior para fins de investimento, vale lembrar, estão sujeitos a 1,1% de IOF, contra 3,5% aplicados sobre remessas para viagens ou gastos pessoais.
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