Ex-economista do IIF vê mais espaço para rali do real e projeta dólar a R$ 4,50

O real brasileiro voltou ao centro das atenções no mercado de câmbio internacional. Em meio a um movimento generalizado de valorização das moedas emergentes frente ao dólar, a divisa do Brasil desponta como a de melhor desempenho em 2026, impulsionada tanto por fatores globais quanto por uma reprecificação de seus próprios fundamentos. A avaliação é de Robin Brooks, economista do Brookings Institution e ex-chefe de estratégia cambial do Institute of International Finance (IIF), que mantém a projeção do dólar a R$ 4,50.

Em texto publicado na última quinta-feira (26), Brooks afirma que “quase todas as moedas emergentes estão se valorizando contra o dólar, mas o Brasil está no topo da lista”. O real sobe quase 7% frente à moeda americana no acumulado do ano, o que coloca o país como o destaque positivo entre os emergentes.

De guerra na Ucrânia ao enfraquecimento do dólar

Brooks relembra que o real já havia passado por um forte rali em 2022, logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Naquele momento, a valorização da moeda brasileira tinha um motor claro: os termos de troca, isto é, a melhora nas condições de comércio exterior de países exportadores de commodities.

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O dólar chegou a ser negociado perto de R$ 6,00 no fim de 2021, mas caiu para a faixa de R$ 4,50 em março de 2022. Esse patamar, observa Brooks, coincide com sua estimativa de “valor justo” (fair value) para a taxa de câmbio – nível no qual o real estaria compatível com seus fundamentos econômicos.

“Aquele movimento foi totalmente sobre termos de troca”, escreve o economista. “A invasão da Rússia à Ucrânia elevou os preços de commodities em geral, beneficiando uma potência agrícola e de commodities como o Brasil.”

Agora, porém, a valorização do real não está sendo guiada por um choque de commodities, mas por uma tendência mais ampla de enfraquecimento global do dólar, associada a preocupações com a independência do Federal Reserve (Fed) e com uma deterioração institucional nas economias avançadas do G10.

Dólar fraco primeiro contra emergentes

Brooks chama atenção para o comportamento distinto do dólar frente às moedas desenvolvidas (G10) e emergentes. Ele compara um índice de dólar ponderado pelo comércio contra o G10 com o mesmo tipo de índice frente às moedas emergentes.

Segundo o economista, o “dólar emergente” tem mostrado um sinal mais claro e consistente de fraqueza, enquanto o índice contra moedas desenvolvidas é mais “errático e ruidoso”. Para ele, a perda de força do dólar frente às divisas emergentes funciona como um indicador antecedente da direção geral da moeda americana.

“O dólar contra emergentes atingiu ontem uma nova mínima pós-eleição. A apreciação do real faz parte disso”, resume.

Real ainda “barato” mesmo após rali

Apesar da forte alta recente, Brooks argumenta que o real continua subvalorizado em relação ao seu valor de equilíbrio de longo prazo. Ele lembra que a moeda brasileira sofreu forte desvalorização com o choque da Covid-19 e, diferentemente de outros ativos, “nunca voltou” aos níveis pré-pandemia.

O economista também compara a trajetória da taxa de câmbio dólar/real com sua estimativa de fair value em R$ 4,50. A curva mostra o salto da cotação com o início da pandemia, seguido por uma recuperação parcial – insuficiente, contudo, para devolver o câmbio à região considerada justa pelo modelo do economista.

“O real permanece profundamente descontado em relação a onde estava antes da pandemia e não está muito claro por quê”, afirma. Essa percepção de “barateza” estaria, segundo ele, voltando ao radar dos investidores internacionais e ajudando a explicar por que a moeda brasileira tem superado o desempenho de outros pares emergentes neste ano.

Para Brooks, o desempenho revela a combinação de dois vetores: um dólar estruturalmente mais fraco e um ativo que ainda negocia com desconto em relação aos seus fundamentos.

Essa leitura tende a manter o Brasil no foco de investidores globais em busca de retorno em mercados emergentes, em um momento em que o debate sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos e o grau de independência do Fed adiciona volatilidade às projeções para o dólar.

Para Brooks, é “hora nobre” para o real brasileiro — e o mercado, avalia ele, começa a precificar isso.

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