Falta de acordo adia Bolsa a 200 mil e dólar abaixo de R$ 5, mas ativos mostram força

O clima defensivo nas bolsas do Ocidente reverbera sutilmente no Ibovespa nesta segunda-feira (13).

A falta de um acordo de paz entre Estados Unidos e Israel ameaça fechar o Estreito de Ormuz e, diante da possibilidade de fechamento dessa importante rota marítima, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, a commodity voltou a subir acima de US$ 100 por barril. Este movimento leva a uma maior aversão a risco do mercado, mas o avanço estimula as ações ligadas ao setor de óleo, o que ajuda a limitar a queda do principal indicador da B3.

O Ibovespa opera em queda moderada, em sintonia com as bolsas norte-americanas. A incerteza com a guerra no Oriente Médio impõe cautela nos mercados.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,12%, nos inéditos 197.323,87 pontos, com ganho semanal de 4,93%. Às 13h05 desta segunda-feira, o Índice Bovespa caía 0,37%, aos 196.567,17 pontos, após cair 0,56%, na mínima em 196.222,86 pontos, e abertura na máxima aos 197.323,87 pontos.

Petrobras (PETR4) tinha alta de cerca de 1,40% e Vale (VALE3), de quase 1%. Já Usiminas (USIM5) cedia 2,77%, assim como papéis de bancos recuavam. Itaú Unibanco (ITUB4), por exemplo, cedia 1,63%.

“Mais uma semana de tensão. O petróleo novamente opera acima dos US$ 100, e há mais incerteza sobre inflação, desequilíbrio de moedas e crescimento global prejudicado”, diz Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil.

O avanço perto de 7% do petróleo estimula ações ligadas ao óleo, como Petrobras (PETR3;PETR4), suavizava um pouco a queda do Ibovespa, completa Bandeira.

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Como reforça Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, conforme as cotações do petróleo avancem, papéis relacionados ao setor capturam parte desse movimento. “A nossa Bolsa tem peso muito grande de ações de empresas de petróleo e gás”, afirma.

A agenda pesada de indicadores no Brasil e no exterior desta semana se junta à temporada de balanços trimestrais nos EUA, com resultados de gigantes bancários, como o do Goldman Sachs, informado nesta segunda. Entre as divulgações estão dados brasileiros de atividade e o Livro Bege norte-americano.

Conforme apontam os analistas do BB Investimentos, as expectativas em torno de um cessar-fogo seguido de negociações para o fim do conflito no ​Oriente Médio aqueceram os mercados e fizeram o Ibovespa renovar seu recorde histórico na semana passada.

“Esse desempenho desloca os próximos objetivos de alta do índice para regiões acima dos 200 mil pontos caso o Ibovespa consiga superar essa barreira”, afirmaram em análise técnica semanal do índice enviada a clientes. O Ibovespa encerrou a semana passada em alta de 4,9% em reais e 7,8% em dólares, fechando aos 197.325 pontos, aproximando-se da marca de 200.000 pontos projetada por muitos analistas para apenas no fim deste ano.

“No entanto, a volatilidade deve seguir acentuada, visto que as notícias mais recentes dão conta do ‌fechamento do Estreito de Ormuz depois do insucesso para obtenção de um ​acordo para o fim do conflito. Nesse caso, o cenário de realização do Ibovespa prevê suportes em 194 mil pontos, em 192,6 mil pontos — topo de fevereiro — e 190 mil pontos.” Cabe destacar ainda que o dólar se aproximou da marca de R$ 5,00, renovando mínimas em 2 anos, na sexta mas tem leve avanço nesta segunda, a R$ 5,02, com ganhos de 0,2%.

A incerteza em relação à duração da guerra no Oriente Médio somada à piora nas expectativas para a inflação brasileira no boletim Focus, divulgado hoje, reforça a cautela dos agentes na B3. Apesar da alta de 1,26% do minério de ferro no fechamento hoje em Dalian, na China, as ações de siderúrgicas e mineradoras recuam, com exceção de Vale, que passou a subir há pouco (0,90%).

Leia mais: Mercado já olha para o Ibovespa além dos 200 mil pontos em 2026; veja projeções

“Com o fracasso por ora das negociações e o novo avanço do petróleo, recrudescem os temores inflacionários mais agudos, que devem manter a condução cautelosa da política monetária pelos principais bancos centrais”, estima em nota Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria.

Nesta segunda-feira, no Brasil, a mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu de 4,36% para 4,71%. É a primeira vez que a estimativa para este ano estoura o teto da meta de inflação, de 4,50%. A projeção para o IPCA de 2027 avançou de 3,85% para 3,91%.

Já a estimativas para a Selic no fim de 2026 continuou em 12,50%. Considerando só as 55 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 12,50% para 12,75%.

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