
Faltam quatro anos para a Copa do Mundo de 2030, a primeira a ser realizada em três continentes com jogos em seis países – Uruguai, Argentina, Paraguai, Espanha, Portugal e Marrocos. Nesse horizonte, é impossível prever com precisão quanto custará a viagem, mas já dá para fazer algumas aproximações para ajudar quem quer participar da próxima edição da Copa a se organizar financeiramente.
Câmbio, inflação, preços de ingressos e até a oferta de voos e hospedagens ainda são incógnitas para a Copa de 2030. Na prática, sequer existem passagens aéreas ou quartos de hotel disponíveis para o período da competição.
“Passagens aéreas e hotéis só permitem cotação com até um ano de antecedência. Não tem como dar detalhes porque não tem como orçar, essas passagens e hospedagens ‘não existem’. Nada é comercializado com mais de um ano de antecedência”, afirma Luísa Dalcin, Public Relations and Content Marketing Director.
Ainda assim, segundo especialistas, já é possível começar a se preparar não para acertar o custo viagem – que deve ficar bem salgada – , mas para construir uma reserva financeira que a viabilize.
Quanto pode custar a viagem?
Uma das poucas estimativas disponíveis hoje foi elaborada pela SOMMA Multi-Family Office.
Antes de olhar os números, porém, é importante fazer uma ressalva: o estudo não prevê quanto custará a Copa de 2030. A proposta é apenas criar uma referência baseada nos custos atuais de viagens para a Península Ibérica e nos aumentos de preços observados durante a Copa de 2026. A própria SOMMA destaca que inflação, câmbio e condições de mercado podem alterar completamente esse cenário ao longo dos próximos anos.
A casa também lembra que grandes eventos esportivos costumam pressionar os custos de hospedagem, transporte e ingressos, tornando qualquer projeção para 2030 ainda mais incerta. Além disso, o preço dos ingressos dos jogos, que já são caros, podem ser dinâmicos, como aconteceu neste ano pela primeira vez no torneio.
Como ponto de partida para a simulação, a Somma Investimentos calculou que uma viagem semelhante para Espanha e Portugal custaria atualmente entre R$ 20 mil e R$ 28 mil, e acresceu um aumento de 40% a 50% na estimativa, como mostrou a experiência de 2026.
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Segundo a casa, acompanhar os três jogos da seleção brasileira na fase de grupos em uma viagem de aproximadamente 15 dias exigiria, atualmente, um orçamento entre R$ 45 mil e R$ 65 mil por pessoa. A estimativa foi dividida em três cenários:
- Econômico: cerca de R$ 45 mil;
- Confortável: cerca de R$ 55 mil
- Premium: R$ 65 mil ou mais.
Câmbio
Se há uma variável capaz de transformar completamente qualquer planejamento financeiro para a Copa de 2030, é o câmbio. A maior parte das despesas da viagem será realizada em euro. Por isso, para o planejador financeiro Jeff Patzlaff, faz mais sentido construir a reserva diretamente na moeda europeia do que acumular recursos apenas em reais.
“A minha sugestão é: guardar euros mensalmente. Porque se o euro subiu ou caiu, é euro. Você já tem a moeda que vai usar na viagem”, afirma.
Quanto guardar por mês?
Segundo Patzlaff, o torcedor deve estabelecer uma meta diretamente em euro. A simulação proposta inicial seria acumular pelo menos 10 mil euros ao longo dos próximos quatro anos.
Dividindo o valor pelos 48 meses que separam a final da Copa de 2026 do Mundial de 2030, o esforço seria de aproximadamente 208 euros por mês – na cotação atual, algo em torno de R$ 1.219,94 mensais.
A conta não pretende estimar o custo final da viagem. Serve apenas como um exercício de planejamento.
Esqueça a busca por grandes rendimentos
Outro ponto destacado pelo planejador financeiro é que o sucesso do plano depende mais do aporte do que da rentabilidade.
Muitas contas internacionais e estruturas de investimento no exterior oferecem algum rendimento para os valores mantidos em moeda estrangeira, mas esse retorno tende a ser relativamente modesto. Por isso, o foco não deve ser encontrar a aplicação perfeita, mas sim criar uma rotina de aportes protegidos de variações cambiais.
Patzlaff avalia que pode fazer sentido utilizar contas internacionais voltadas para investimentos para manter os recursos em euro ao longo do período, em vez de simplesmente deixar o dinheiro parado, embora a escolha dependa das características e custos de cada instituição.
As compras começam em 2029
Para quem pretende ir à Copa de 2030, o momento decisivo chega cerca de um ano antes da competição, quando passagens e hospedagens começarem efetivamente a ser comercializadas.
“Qual é o segredo? Um ano antes você já ter decidido o que você quer. E aí começar as emissões. Porque os primeiros a emitir, a reservar pegam os preços mais baratos”.
O que levar em conta na hora de escolher os países que você vai visitar
A maioria dos jogos da Copa do Mundo de 2030 acontecerá em Espanha, Portugal e Marrocos. Contudo, os três jogos comemorativos do centenário do torneiro vão acontecer antes dos demais, no Uruguai, na Argentina e no Paraguai, entre os dias 8 e 9 de junho de 2030.
Embora ainda seja impossível saber quanto custará uma viagem para a edição, algumas características dos países-sede já ajudam a entender onde o torcedor pode gastar mais ou menos.
Marrocos: destino mais barato, mas há uma incógnita
Entre os três anfitriões principais, o Marrocos é hoje considerado o país mais acessível para turistas. Segundo Dalcin, alimentação e hospedagem costumam custar menos do que em Portugal e na Espanha. Além disso, o país possui uma ampla oferta de hospedagens instaladas em antigos casarões e palacetes convertidos em hotéis e hostels, o que ajuda a ampliar a oferta de quartos.
Mas existe uma ressalva importante. Diferentemente de Espanha e Portugal, o Marrocos nunca recebeu um evento esportivo ou turístico de alcance global comparável à Copa do Mundo.
“Hoje ele é um destino menos procurado. A questão é descobrir como os preços para visitar o país vão se comportar quando essa demanda chegar”, pontua.
Na prática, o país pode continuar sendo a opção mais barata da Copa, mas, a exemplo do que aconteceu em Belém do Pará na COP de 2025, pode viver uma espécie de “hiperinflação” na hospedagem.
Espanha: turismo maduro e custos mais previsíveis
Para Dalcin, fora da América Latina, a Espanha é provavelmente o destino mais estável quando se pensa em orçamento de viagem, porque o país já convive há décadas com grandes fluxos turísticos e, por isso, os preços tendem a ser mais previsíveis.
Outro diferencial é a oferta de bares, cafés e restaurantes, que ajuda a manter opções para diferentes bolsos. “Não é difícil encontrar almoço ou jantar por 10, 12 ou 15 euros, que, se convertidos hoje, são muito próximos do que já se paga em grandes capitais brasileiras”, completa.
Dentro do país, porém, há diferenças relevantes. Barcelona costuma ser uma cidade mais cara por causa da forte demanda turística, enquanto Madri tende a oferecer opções mais acessíveis.
Portugal: o destino mais caro
Segundo a especialista, se há um país que mudou de patamar de preços recentemente, esse país é Portugal. A combinação de turismo internacional em alta, aumento da imigração e forte procura por imóveis elevou significativamente o custo de vida em cidades como Lisboa, Porto e Cascais.
“Ir para Portugal era muito mais barato há cinco anos. O aumento da demanda pelo país, sobretudo por localidades como Porto, Lisboa e Cascais, provocou uma valorização importante dos preços”, explica.
Por isso, o país pode não ser necessariamente a alternativa mais econômica para quem planeja acompanhar a Copa.
América do Sul
O Paraguai deve ser o destino mais barato na América do Sul. A capital paraguaia, Assunção, costuma apresentar custos de hospedagem, alimentação e transporte inferiores aos encontrados nas principais cidades de Espanha e Portugal, além de ter a vantagem da proximidade geográfica com o Brasil.
O Uruguai tem uma característica que já é conhecida pelos brasileiros: não costuma ser um destino barato, além de ter uma economia e um turismo fortemente dolarizados.
A capital Montevidéu e outras regiões turísticas do país tradicionalmente operam com preços mais elevados do que os encontrados em outros mercados latino-americanos, especialmente em hospedagem e alimentação voltadas ao visitante estrangeiro.
Segundo Dalcin, a Argentina talvez seja o caso mais difícil de prever. Nos últimos anos, turistas chegaram a encontrar períodos de grande vantagem para brasileiros, mas também enfrentaram aumentos expressivos em poucos meses.
“Ano passado vimos uma refeição custar R$ 15 em um restaurante em Buenos Aires e, três meses depois, custar R$ 100”, diz Dalcin – uma volatilidade que dificulta qualquer estimativa de longo prazo.
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