O que está acontecendo com o euro? Moeda europeia chega a menor nível em 16 meses

Os investidores estão se tornando mais pessimistas em relação às perspectivas do euro, diante das preocupações com os desafios fiscais da França e novos riscos políticos na região. A divisa opera com ligeira alta perante o real nesta quinta-feira (8), após queda sucessivas que levaram ao menos nível em 17 meses. O euro sobe 0,11%, cotado a R$ 5,17 contra o real.

Mesmo assim, antes, a moeda comum europeia caiu para o menor nível em mais de ano frente à libra esterlina e se aproximou da mínima de um ano em relação ao iene japonês nesta quarta-feira. Ao mesmo tempo, um indicador que mede a demanda por posições compradas e vendidas em euro contra a libra mostra que os operadores passaram a favorecer a moeda britânica pela primeira vez em dois anos.

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Os movimentos ocorrem poucos dias após o euro atingir o menor nível em 17 meses frente ao dólar, sinalizando que os investidores estão olhando além da moeda americana para apostar contra a divisa europeia. Os mercados do continente vêm registrando perdas recentemente em meio à perspectiva de colapso do governo francês e a um novo agravamento do déficit do país.

“As preocupações com o fracasso da França em reduzir seu déficit orçamentário foram amplificadas pelas incertezas relacionadas à aproximação da eleição presidencial francesa”, afirmou Jane Foley, estrategista do Rabobank. Segundo ela, a alta dos rendimentos dos títulos franceses e uma venda mais ampla de dívida de países europeus altamente endividados aumentam a pressão sobre o euro.

A turbulência nos mercados franceses se espalhou para o mercado de títulos soberanos da Europa, onde uma forte liquidação na semana passada trouxe de volta lembranças da crise da dívida da região. O pedido por eleições antecipadas feito pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também adicionou novos riscos políticos aos mercados europeus.

O euro chegou a cair 0,7% frente ao dólar, para US$ 1,1176, nesta quarta-feira, e recuou 0,4% contra a libra, para 84,48 centavos de libra, o menor nível desde junho de 2025. Foley acredita que a moeda continuará sob pressão no próximo ano e projeta o euro em US$ 1,12 no horizonte de 12 meses.

Com o aumento dos riscos na Europa, investidores buscam formas mais diretas de expressar uma visão negativa sobre o euro do que por meio do par com o dólar, que pode ser influenciado pelas preocupações com a situação fiscal dos Estados Unidos e pelo prêmio de risco da própria moeda americana. Segundo operadores de câmbio familiarizados com as transações, os fundos hedge têm ampliado posições vendidas em euro contra o franco suíço e o iene, seguidos pela libra e pelo dólar.

Estrategistas do Morgan Stanley liderados por David Adams também esperam mais fraqueza para o euro e veem oportunidades melhores de apostar contra a moeda do que por meio do dólar. A recomendação é vender euro contra o dólar australiano e o franco suíço como proteção diante do aumento dos riscos fiscais e políticos, além da possibilidade de o Banco Central Europeu adotar uma postura mais acomodatícia caso a volatilidade dos mercados de títulos persista.

Os operadores também reduziram as apostas em novas altas de juros pelo BCE em meio à turbulência nos mercados de dívida. Os contratos de swap agora apontam para três aumentos de 0,25 ponto percentual até setembro de 2027, ante expectativa de quatro altas observada no início da semana passada.

A preferência por operações envolvendo o euro contra outras moedas também aparece nos mercados de volatilidade. Pela primeira vez desde março de 2025, o custo de proteção contra oscilações do par euro-iene superou o do par dólar-iene em mais de 100 pontos-base. Já os contratos de reversão de risco de um mês para euro-libra passaram a favorecer a moeda britânica pela primeira vez desde agosto de 2024.

(com Bloomberg)

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