
O euro segue sob pressão diante do real e negocia na região de R$ 5,62, depois de uma queda que ganhou velocidade nesta semana. Apenas na segunda-feira (5), a moeda europeia recuou 4,52% frente à divisa brasileira.
O movimento reúne duas forças que atuam ao mesmo tempo. De um lado, o real ganhou força, especialmente após o primeiro turno das eleições. Do outro, o euro também vem perdendo terreno no mercado internacional, pressionado pelas incertezas fiscais e políticas na Europa e pelas expectativas para os juros.
Essa combinação ajuda a explicar por que o euro pode continuar enfraquecendo frente ao real mesmo se a queda do dólar perder força.
Em termos cambiais, a relação pode ser resumida pela combinação entre EUR/USD e USD/BRL. Se o dólar perde valor diante do real ao mesmo tempo em que o euro recua frente à moeda americana, os dois movimentos pressionam o EUR/BRL na mesma direção.
E o movimento já aparece de forma clara nos gráficos.

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Até onde o euro pode cair frente ao real?
A análise técnica elaborada pelo InfoMoney mostra que o EUR/BRL segue abaixo das médias móveis de 9 períodos (MM9) e 21 períodos (MM21) no gráfico diário, mantendo uma estrutura predominantemente de baixa.
Depois de alcançar uma máxima próxima de R$ 6,61 em dezembro de 2025, o euro passou a desenvolver uma trajetória descendente diante do real ao longo de 2026. A pressão vendedora voltou a se intensificar nas últimas sessões e levou a cotação para a região de R$ 5,62.
O primeiro suporte relevante aparece em R$ 5,54. A perda desse nível pode ampliar o movimento e colocar no radar a faixa entre R$ 5,47 e R$ 5,43.
Em uma extensão maior da queda, aparecem como referências inferiores R$ 5,30, R$ 5,25 e R$ 5,19.
A velocidade do movimento recente, entretanto, também deixou a cotação bastante afastada das médias móveis. Esse distanciamento abre espaço para eventuais repiques técnicos, sem que uma recuperação pontual necessariamente represente uma reversão da tendência.
Para começar a aliviar a estrutura de baixa, o euro precisa inicialmente recuperar a região de R$ 5,63. Acima desse patamar, as próximas referências ficam em R$ 5,75 e na região da MM21, próxima de R$ 5,84.
Na sequência, aparecem resistências em R$ 5,96, R$ 6,08, R$ 6,20 e R$ 6,31.
Enquanto essas regiões não forem recuperadas, o gráfico diário mantém predominância do movimento vendedor.

Real mais forte ajuda a pressionar o euro
Parte da queda vem do próprio desempenho da moeda brasileira.
O real acumula forte valorização frente ao dólar em 2026 e ganhou novo impulso depois do primeiro turno das eleições. O desempenho da moeda brasileira neste ano já está entre os mais fortes dos últimos anos.
Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o resultado do primeiro turno aumentou o otimismo dos investidores em relação às perspectivas fiscais do país, favorecendo a entrada de capital estrangeiro e o fortalecimento do real.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, também avalia que o resultado reduziu parte do prêmio de risco político e fiscal que estava embutido no câmbio.
Esse movimento atingiu não apenas o dólar. Como a cotação do euro em reais depende também do comportamento do USD/BRL, a valorização da moeda brasileira exerceu pressão direta sobre o EUR/BRL.
O cenário, porém, ainda pode mudar. Lima e Zogbi destacam que a proximidade do segundo turno e novas informações sobre as propostas dos candidatos podem alterar as expectativas do mercado e aumentar novamente a volatilidade.
Euro também perde força fora do Brasil
Se a valorização do real explica uma parte do movimento, a outra vem da própria Europa.
A moeda única enfrenta pressão em meio às preocupações fiscais e políticas no continente, com destaque para a situação da França. O mercado de dívida francês passou por forte deterioração, com aumento dos juros dos títulos públicos e ampliação do prêmio exigido pelos investidores em relação à Alemanha.
O InfoMoney mostrou que a crise nos títulos franceses passou a contaminar outros ativos e aumentar a preocupação com as contas públicas do país.
Segundo Zogbi, esse cenário também interfere nas expectativas para a política monetária europeia.
A probabilidade atribuída pelo mercado a uma alta de juros do Banco Central Europeu (BCE) em outubro, que estava em torno de 60% no fim de setembro, caiu para aproximadamente 14%, segundo dados do RateProbability citados pela estrategista.
Na avaliação da Nomad, o mercado também passou a precificar maior aperto monetário por parte do Federal Reserve do que do BCE no horizonte analisado. Essa diferença tende a aumentar a atratividade relativa dos títulos americanos diante dos europeus.
A alta do petróleo adiciona outra pressão sobre uma região fortemente dependente da importação de energia, enquanto incertezas políticas — incluindo as eleições antecipadas na Espanha e a aproximação da eleição francesa — acrescentam volatilidade ao cenário.
A fraqueza já levou o euro aos menores níveis em cerca de 16 meses frente ao dólar, movimento também analisado pelo InfoMoney em reportagem sobre o que está acontecendo com a moeda europeia.

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Por que o euro pode cair mesmo se o dólar parar?
A combinação entre os fatores brasileiros e europeus ajuda a explicar uma diferença importante entre o comportamento do euro e o do dólar diante do real.
“O dólar frente ao real reflete mais diretamente o cenário brasileiro e a política monetária americana, enquanto o euro também depende da situação econômica europeia”, afirma Lima.
Isso significa que o USD/BRL pode eventualmente se estabilizar sem que o EUR/BRL faça o mesmo.
Se o dólar parar de cair frente ao real, mas o euro continuar perdendo força diante da moeda americana, o EUR/BRL ainda poderá recuar.
Essa relação pode ser expressa de forma simplificada como:
EUR/BRL = EUR/USD × USD/BRL
É por isso que acompanhar apenas o dólar doméstico não é suficiente para entender o comportamento da moeda europeia no Brasil.

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Euro/dólar também mantém tendência de baixa
O gráfico do EUR/USD reforça essa segunda parte da história.
O par negocia próximo de US$ 1,12 por euro e também permanece abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos.
Depois de atingir uma região próxima de US$ 1,20 no início do ano, o euro passou a formar uma sequência de topos e fundos descendentes frente ao dólar.
Os primeiros suportes aparecem em US$ 1,1161 e US$ 1,1066. A perda dessas regiões colocaria US$ 1,10 como próxima referência.
Na direção contrária, o euro precisa inicialmente recuperar US$ 1,1263 e voltar acima das médias móveis para aliviar a pressão de curto prazo.
Acima desse patamar, aparecem resistências nas regiões de US$ 1,1368/US$ 1,1390, US$ 1,1498 e US$ 1,1642.
Assim como no EUR/BRL, o movimento recente deixou a moeda afastada das médias, o que pode favorecer uma reação técnica. Uma mudança mais consistente da estrutura, porém, dependeria da recuperação sucessiva dessas resistências.

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